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CARLOS ALBERTO REIS – UFOLOGIA 3.0

Poderia a Mitologia explicar o fenômeno Óvni?

Uma reflexão a caminho

Carlos Reis

A Mitologia pode explicar o fenômeno Óvni? Essa é uma daquelas questões que demandam duas respostasaparentemente antagônica: sim, pode. Não, não pode explicar. Para entender porque elas não se excluem mutuamente, precisamos primeiro fazer um curto sobrevôo nas terras da mitologia para conhecer suas dimensões continentais, uma área tão vasta quanto a da nossa própria existência. Essa geografia representa a condição humana com todas as suas nuances, inquietações, medos, virtudes, humores, limitações e aprendizados. Sintetizando numa única frase, podemos afirmar que os mitos são narrativas de significação simbólica referentes a aspectos da natureza humana.

Mas um elenco de grandes autores nos oferece outras definições. Rubem Alves, por exemplo, diz que Os mitos são histórias que delimitam os contornos de uma grande ausência que mora em nós. [Joseph] Campbell vai além, postulando que não se trata exatamente de buscar um sentido para a vida, e sim o da experiência de estar vivo, de forma tão profunda que ressoa bem no íntimo de nossa alma e nos mostra a beleza dessa existência. Já para outro nome de peso, Mircea Eliade, referência mundial em estudos de mitologia, O mito é sempre uma criação por excelência, e revela a sacralidade do sobrenatural – a irrupção do sagrado no mundo, o acontecimento primordial. Muitos outros enriqueceriam indefinidamente os conceitos sobre os mitos.

Ao estudarmos sua cartografia, saltam aos olhos palavras-chave que expressam essa realidade: ausência, nostalgia, saudade, vazio, desejo, carência, uma eterna insatisfação, uma busca interminável, uma necessidade de algo inexprimível à razão, uma vã tentativa de voltar às raízes. Pode ser a busca de nossas origens ou da origem de tudo. Pode ser a procura de umconhecimento ou de um acontecimento, ou pode ser tudo isso. Os mitos são a ressonância destes anseios permanentemente ocultos na mente humana, de onde se produzem, por idêntico processo, os sonhos, as fantasias, os devaneios, a arte e a religião – formas substitutivas cuja finalidade é dissimular as verdadeiras moções pulsionais estruturantes do ser humano.

O que se conclui sobre os mitos é que eles foram criados para dar sentido e direção à vida do homem; não são uma invenção gratuita, não nascem da imaginação desenfreada ou de um capricho dos deuses, nem constituem forma de pensamento pré-científico. Eles são a expressão simbólica de forças vivas e atuantes que trabalham nos subterrâneos da psique. E isso é apenas o começo, mas nosso combustível, neste momento, não permite alcançar as fronteiras – se é que existem, porque sempre haverá um metro a mais de terra a ser explorada. O sobrevôo seria curto, alertamos. Antes de pousar, entretanto, é possível notar que existem tênues variações delimitadas nesse terreno, indicando outros tipos de lavoura. Vejamos do que se trata.

O leitor com espírito aberto e olhos atentos às entrelinhas já terá percebido que as falas da mitologia reverberam nos campos da ufologia – campos férteis em imaginação, fantasia e fabulação, provocando ecos que não se perdem no vazio, ao contrário. Além de olhos apurados é preciso saber ouvir o que tais ecos querem nos dizer: busca incansável? Retorno às origens? Vazio? Carência? Irrupção do sobrenatural no mundo? Uma rápida vista d´olhos no circo ufológico e lá está tudo isso. Sim, goste-se ou não, reconheça-se ou não, a mitologia pode explicar a ufologia. Em parte. Não pode explicá-la sozinha, e somente assentados em solo firme é que identificamos aquelas outras lavouras: antropologia, religião, filosofia, história, psicanálise, sociologia, compondo um instigante e enriquecedor mosaico transdisciplinar.

É aqui que começa a verdadeira pesquisa. É aqui que se dão as maiores descobertas. É aqui que o homem se mostra como realmente é, e não como imagina ser. Todos os nossos medos, todas as nossas inquietudes, todas as nossas necessidades, desejos e frustrações estão desveladas através das narrativas míticas e igualmente expostas nas narrativas ufológicas. Goste-se ou não, reconheça-se ou não.

A ufologia, por sua vez, social e culturalmente nascida num momento histórico transformador da humanidade (não por acaso), se conduz por um fluxo descontínuo de narrativas baseadas em eventos duvidosos, obscuros e não comprováveis, não contemplando, portanto, os requisitos básicos da pesquisa científica: rigor, estrutura, critério e método. Mas não é só por este viés que ela comete seus piores delitos e nem é nossa intenção trilhar este caminho. Ao se colocar ciência e crença na balança da verdade, uma coisa não pode ser refutada: o ponteiro se inclina sempre sob o peso da argumentação responsável, da autoridade reconhecida, da experiência respeitada e da evidência consolidada.

Assim como a mitologia se serve daqueles campos para explicar o objeto de seus estudos, a ufologia não só imprescinde deles como agrega, ao seu latifúndio, além da própria mitologia, ficção, astrobiologia, psicologia e outros tantos quantos forem necessários. O ritmo vertiginoso sem tréguas das mudanças do mundo, aliado ao volume ciclônico de informações exige atualização permanente. Os ventos dessas transformações sopram céleres, fazendo a curva do aprendizado crescer exponencial e cumulativamente. Com o advento da internet e da comunicação digital, assiste-se a uma revolução em escala planetária sem precedentes, por isso nada justifica mais uma atitude tão anacrônica de ingenuidade, credulidade fácil e ilusão, ainda mais quando se constata um movimento sinérgico, progressivo e global na revisão historiográfica corretiva dos fatos. A ufologia não está fora desse quadro.

Mesmo concordando com Vallée –Quanto mais luz projetarmos sobre o fenômeno, mais zonas de sombra estaremos criando, preferimos adotar um espírito mais arrojado e atender a um antigo desejo de Campbell: Até onde sei, ninguém tentou ainda configurar em um único quadro as novas perspectivas que abrimos nos campos do simbolismo comparado, religião, mitologia e filosofia, utilizando-se do conhecimento moderno.Ao encontrarmos paralelos e semelhanças indiscutíveis entre os mitos e o fenômeno Óvni na origem, estrutura, forma, estética, simbolismo e expressão, demos vida ao sonho de Campbell, abrindo novas possibilidades. E quitamos uma dívida conosco e com a Ufologia que prezamos.

Empreendemos, então, a tarefa de executar um amplo estudo comparativo entre ambos em Reflexões sobre uma Mitopoética (LivroPronto, 150 págs), obra a ser lançada brevemente. A abordagem sintética não compromete o apuro da análise, até porque vem norteada por nomes de primeira grandeza no cenário acadêmico e literário; além dos já citados, Zygmunt Bauman, Ernst Cassirer, Lévi-Strauss, Jung, Gilbert Durand, Lacan, os brasileiros Marilena Chauí, Régis de Morais, Antonio Novaski, Constança César e muitos outros emprestaram seus saberes, proporcionando um exame multifacetado e multiplicador. Nosso objetivo, enfim, foi inspirado em Antonio Cândido, um dos mais respeitados críticos literários da atualidade (parafraseado): Fecundar o ensaio acadêmico com a especificidade da narrativa ufológica e, ao mesmo tempo, enriquecer a visão crítica dos fatos através da formação universitária.

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DOMINGO, 9 DE JANEIRO DE 2011

O AUTOR

Paulista, 59 anos, escritor, livreiro, ex-articulista da Revista Planeta (1980-1990) e colaborador de outras publicações nacionais e internacionais; pesquisador há 40 anos com forte postura científica. Co-autor de A Desconstrução de um Mito (LivroPronto, São Paulo, 2009). Residente em Juiz de Fora, Minas Gerais. Está finalizando um segundo livro – Reflexões sobre uma Mitopoiesis – com lançamento previsto para 2011.

Contato:
(32) 3211-8031
(32) 9105-5576
carlos.reis@atitude.com.br
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Ufologia 3.0 – As sombras do não-espaço – I

Excerto da obra ainda inédita “Reflexões sobre uma Mitopoiesis”
O presente trabalho é uma iniciativa da Socex-Sociedade Excelsa, cujo crédito deverá ser citado em eventuais publicações na mídia escrita, falada e televisada, assim como sites de Internet.


Ufologia 3.0 – As sombras do não-espaço – I

Carlos Reis

EXCLUSIVO PARA A SOCEX

Ao iniciarmos a discussão sobre o conceito de vida extraterrestre inteligente, ponto de partida para a crença na origem dos discos voadores e seres alienígenas, topamos com três questões ao mesmo tempo difíceis de serem respondidas: vida,extraterrestre e inteligente. Em relação avida, será que tudo o que sabemos sobre a sua origem na Terra nos dá a certeza de estarmos no caminho certo? Presumimos que sim. A ciência faz o possível e o impossível para certificar-se de que suas teorias são as mais próximas da verdade, mas ainda pairam incontáveis dúvidas a respeito de tudo, e as especulações (despeculum – observar, refletir) não terminam.

Quanto à vida extraterrestre, não passa de suposição, pois não há nenhuma comprovação científica para o fato. O espaço é permanentemente vigiado por “olhos e ouvidos” atentos ao menor sinal que indique companhia para o baile cósmico. Até o momento em que estas linhas foram escritas, o silêncio é absoluto e parece que isso não irá mudar. A capacidade tecnológica do homo sapiens é indiscutível e irrefreável, mas, paradoxalmente, temos que conviver com a ignorância em outros campos. A descoberta recente de uma forma de vida surpreendentemente incomum como a bactéria GFAJ-1[1] revelou aspectos interessantes: a vida oferece variações impensadas para a sua adaptação em ambiente adverso, e sinaliza, apenassinaliza a possibilidade de que a vida tenha proliferado espaço afora, ainda que na esfera dos microorganismos.

Em terceiro lugar, o “problema” dainteligência é o mais complexo. O tempo a ser decorrido entre aqueles prováveis organismos unicelulares e a mais elementar forma de vida inteligente se estende em torno de 500 milhões de anos. Não vamos mergulhar no universo das neurociências para compreender o mecanismo da inteligência, pois o que nos traz aqui são os processos mentais que devemos utilizar para pensar sobre o “não-humano”, o extraterrestre.

A questão é como ordenar tais processos sem recorrer aos padrões, valores, parâmetros e princípios humanos? Impossível? Absurdo? Se estamos falando de algo não terrestre e queremos entender como é possível que exista esse algo, precisamos abandonar todos os condicionamentos intelectuais que norteiam nosso saber. Se realmente a vida for uma anomalia terrestre, um acidente, uma singularidade, então qualquer outra vida, inteligente ou não, é uma quimera, decretando o fim dos devaneios ufológicos. No entanto, se imaginarmos que haja uma única civilização avançada o suficiente e perto o bastante a navegar pelo cosmos, então podemos prosseguir na divagação Se a existência dessa única civilização já seria algo extraordinário, imagine dezenas espalhadas por aí como defendem os ufólogos.

A partir dessa possibilidade, é perfeitamente natural pensar que “lá” também deva existir uma complexa engenharia aeronáutica, fábricas de discos voadores, linhas de montagem, máquinas, operários, técnicos, pilotos, simuladores, aparelhos eletrônicos, automatismo. Ferramentas, logística, hangares, manutenção, oficinas, sucatas, restos, lixo, talvez até reciclagem. Se prosseguirmos nesse exercício, aos poucos, sem perceber, estaremos entrando inapelavelmente para o terreno da fantasia e da ficção.

Se nossos vizinhos cósmicos tivessem aparência menos humana e mais humanoide, o quadro não mudaria. Eles precisariam ser muito diferentes,totalmente diferentes para que então também pudéssemos pensar de maneira diferente. Convenientemente, entretanto, não há registros de criaturas com aspecto androide, robôs, rastejantes, artrópodes ou disformes, repugnantes ou aterrorizantes, Pois se de fato houver vida em abundância espaço afora, será menos surpreendente se for semelhante, em aparência, aos mais criativos e bizarros produtos da imaginação.

Pelas leis da natureza, onde há vida há nascimento, crescimento, degeneração e morte, logo, podemos supor que alhures existam aliens bebês, crianças, jovens, adultos e idosos, sexuados, o que sugere a mais complexa estrutura de organização social, ao feitio da nossa civilização moderna: casas, escolas, hospitais, ensino, medicina…. Não há como articular um raciocínio diferente. Não podemos imaginar que tudo funcione apertando botões, e ainda que fosse, deverá haver uma “fábrica de botões”, fios, máquinas, operários, engrenagens…

Após avaliarmos em conjunto todas as variáveis incorporadas nesse raciocínio, o que pode ser mais inconcebível do que acreditar que exista uma civilização tão extraordinariamente semelhantes à nossa? E mais, próxima o suficiente para nos visitar com a frequência alardeada? Crer em tal possibilidade é deitar fora os mais elementares princípios de lógica. Se assim fosse, o debate religioso assumiria proporções vulcânicas: deixaríamos de ser tão “especiais”, sendo não mais que uma espécie inferior na escala evolutiva do cosmos. As implicações culturais, sociais e psicológicas seriam difíceis de prognosticar, mas teriam sem dúvida um efeito devastador. Onde estaria nossa verdadeira origem? Seria possível administrar uma diversidade existencial tão profunda (lembrando que estamos divagando em cima de uma únicacivilização!)? É de se presumir que o choque psíquico não tem precedente na história humana.

Essas deduções assentam-se em nossos padrões mentais, vale repetir, mas acontece que estamos falando de algo não terrestre, não humano, e o que delineamos sugestivamente é um cenário com todos os atributos do mundo terrestre, humano, portanto uma evidente contradição. Se queremos pensar objetivamente e sem incoerências, precisamos enganar, ou “anular” o processo de construção mental que nos leva a estas conclusões. Como? Se tal civilização existir de forma diferente da que imaginamos, não temos como imaginar de forma diferente. E não há forma diferente de imaginar a partir dos elementos conhecidos para formular o pensamento. Não é um dilema, é lógica! Não há como ser de outro jeito! Para pensar fora do universo mental em que estamos presos, temos que nos deslocar para um “não-espaço”, um não-lugar, tal como o personagem Neo em “Matrix”, jogado no vazio para reformular toda a sua estrutura sensório-pensante. É o que faremos na segunda parte desta reflexão.

[1] A bactéria GFAJ-1 substituiu o elemento fósforo por arsênio na sua composição. Em que pese a previsível polêmica sobre a descoberta, a possibilidade deste fato abre perspectivas extraordinárias da viabilidade de vida em outros sistemas planetários.

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Ufologia 3.0 – Atravessando o espelho mágico – II

Excerto da obra ainda inédita “Reflexões sobre uma Mitopoiesis”

O presente trabalho é uma iniciativa da Socex-Sociedade Excelsa, cujo crédito deverá ser citado em eventuais publicações na mídia escrita, falada e televisada, assim como sites de Internet.

Ufologia 3.0 – Atravessando o espelho mágico – II

 

Carlos Reis

EXCLUSIVO A A SOCEX

Esperando ter ficado compreendido, no segmento anterior destas reflexões, que a existência de vida extraterrestre inteligente é uma possibilidade bastante remota, diante da dificuldade de se conceber uma civilização tão incrivelmente semelhante à nossa – a única possível considerando os elementos que temos para imaginá-la. Explicamos também ser impraticável pensar de modo diferente, dentro das nossas estruturas mentais.
A título de ilustração, vamos imaginar o clássico disco voador com a superfície polida, brilhante, com janelas, ruídos, luzes multicoloridas, pés retráteis e outras particularidades. Do veículo surge uma escadinha ou rampa por onde desce um tripulante com aparência humana, porte apolíneo, olhos “penetrantes” e semblante sereno, um autêntico “comandante”; acena e gesticula ensaiando uma comunicação, fala de maneira clara, firme, inteligível, fluente com o idioma local e demonstrando total conhecimento sobre nossa existência. Este exemplo não é uma fantasia, é a fusão das centenas de “contatos” colhidos ao redor do mundo. Com base nessa descrição, acrescida dos conceitos expressos na primeira parte, só podemos deduzir que estamos diante de uma civilização em tudo e por tudo semelhante à nossa, com diferença de alguns milhares, talvez milhões, de anos.
O “comandante” obviamente se apresentou dignamente vestido, e portanto sua roupa exigiu um fabricante, maquinário e operadores e assim por diante. Ao falar no idioma local, qualquer que seja ele, presume-se conhecer o sentido das palavras, a gramática, linguística, a construção sintática, o significado das expressões, aprendidas através de um super aparelho tradutor ou decodificador da linguagem humana. Isso mais parece cena dos filmes de ficção B. Diga-se de passagem, a comparação não é gratuita.
 
O cerne do problema está em empregar conceitos humanos para tentar explicar o que seria, à primeira vista, algo “não-humano” – uma cilada intelectual da qual nem a Ciência escapa, é preciso reconhecer. Arriscaríamos afirmar que este talvez seja o ponto mais importante no tratamento global da matéria, o útero de onde nascem todas as discrepâncias, todos os conflitos e todos os silêncios. Arriscaríamos dizer também que é uma questão vital para a continuidade de qualquer discussão nessa área.
Pensar sem usar suportes humanos bloqueia o raciocínio, cria um aparente dilema, provoca premissas inválidas e paradoxais. No entanto é, no fundo, um magnífico mergulho para dentro do espelho e se tornar o reflexo imaginário de uma realidade inexistente, a única forma possível de entender – se for possível – do que estamos falando.
Atravessar o espelho e ser o reflexo imaginário de uma realidade inexistente?
Pura filosofia, com jeitão de conto surreal. Por que o espelho? Porque ele possui um caráter temporal associado ao espírito da imaginação e à consciência, como veículo capaz de reproduzir os reflexos do mundo visível; e ao pensamento, como órgão de autocontemplação narcísica do universo. O espelho também está associado à verdade, quando confronta o si-mesmo: não é à toa que dizemos “olhe-se no espelho” quando queremos que alguém encare a verdade.
Reflexo imaginário de uma realidade inexistente?
Pois imagine-se diante de um espelho no qual você se vê por inteiro e a tudo que o cerca. Aproxime-se, toque a ponta do nariz no reflexo, dê um passo à frente e – zás! – você desapareceu! Para sua surpresa e medo está agora do lado de lá,dentro do espelho, no vazio absoluto, no meio do nada, instante zero, negação do tempo, inverso da matéria, simulacro do real, espetáculo da criação. Não pode nem ver o lugar em que estava, porque não há nada a ser refletido, nem o espelho existe mais, e mesmo que estivesse esperando pelo seu retorno, você agora é apenas o reflexo daquilo que não pode ver!
Como seu próprio reflexo imaginário, agora passou a fazer parte de uma dimensão supra-humana, inefável, onde nenhum paradigma é verdadeiro, nenhuma referência é válida e nenhuma verdade é definitiva. É nesse envolvente e mágico espaço líquido – o reino encantado de Magonia – que se manifestam os mitos, os sonhos, as fábulas e os discos voadores, e somente inserido nesse espaço e só nele é que se pode ter alguma chance de compreender a verdadeira natureza de cada um. Nele, seremos sempre imagem e reflexo daquilo que estivermos procurando.

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DOMINGO, 8 DE AGOSTO DE 2010

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Carlos Alberto Reis
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QUINTA-FEIRA, 3 DE JUNHO DE 2010

UFOLOGIA 3.0

O presente trabalho é uma iniciativa da Socex-Sociedade Excelsa, cujo crédito deverá ser citado em eventuais publicações na mídia escrita, falada e televisada, assim como sites de Internet.

Ufologia 3.0 – A Conexão com o Saber

Carlos Reis

EXCLUSIVO PARA A SOCEX

No momento em que escrevo este artigo num ensolarado e agradável domingo de outono, a alguns quilômetros daqui, na bela capital mineira, um jovem psicólogo inicia seu trabalho de pós-graduação assim como milhares de outros profissionais em todas as áreas, uma miríade de homens e mulheres em busca de galgar mais um degrau em suas carreiras, acrescentar um título ao nome e alcançar um novo patamar de conhecimento. Seria apenas mais um dedicado pesquisador não fosse pela “novidade” do tema escolhido para dar voz à sua interpretação aos fatos que decidiu investigar: Ufologia. Na verdade, este não é o tema central de seu trabalho e sim os personagens envolvidos nos casos de natureza ufológica – testemunhas, contatados e abduzidos. A segunda novidade reside justamente no fato de se tratar de um estudo brasileiro com endosso acadêmico, gerado nos bancos universitários e com apoio de uma instituição federal – o CNPq.

Por que novidade entre aspas? Por razões óbvias: é um caso raro de entrelaçamento da casuística ufológica com as regras do pensamento racional e da metodologia rigorosamente científica na busca de compreensão ou respostas. Ainda em fase inicial de levantamento de dados, o estudo deverá transcorrer ao longo de dois anos, capilarizando a pesquisa no âmbito da sociologia, da psicologia, da antropologia, da filosofia e muito provavelmente no campo da religião. Mas há um detalhe embutido nesse projeto que não pode passar despercebido – o aval de um órgão governamental que pode fazer rever alguns preconceitos que ainda existentes – plenamente justificáveis – quando se trata de confrontar crença e conhecimento.

O que nos coloca como “participantes indiretos” desse projeto é o fato de estarmos em permanente correspondência com o psicólogo, na qualidade de amigos em primeiro lugar, e de consultores em segundo plano na área de nossa competência. E quando dizemos “nós”, acrescente-se o nome do experiente e respeitado pesquisador Dr. Ubirajara Rodrigues, já que o outro fator que nos mantém em linha direta e fortalece a nossa responsabilidade – sempre indireta, o mérito é de quem assina a pesquisa – é a nossa obra “A Desconstrução de um Mito” servir como referência para o desenvolvimento de seu projeto.

Referimo-nos como “raro caso” na pesquisa acadêmica com razão – e este é o mote do presente artigo –, porque desconhecemos se e quantos outros trabalhos foram realizados nesse sentido e mais, quantos foram – se foram – aprovados ou publicados integrando oíndex acadêmico. Se existirem, e torcemos para que haja, não atravessaram as portas das instituições, ou por preconceito das mesmas ou desinteresse dos autores. Muito diferente do que se vê em outros países, e não é de hoje, onde centenas de artigos preenchem as páginas dos periódicos científicos, anuários e revistas universitárias e outros veículos, além de trabalhos de pós-graduação que chegam ao público. A lista não é pequena. No Brasil, tal lista sequer existe. Um artigo pretensamente científico que chegou ao nosso conhecimento apresenta falhas normativas imperdoáveis: os autores só estão identificados nominalmente e não em suas respectivas titulações; o provável orientador/coordenador também não está apresentado formalmente, como seria de se esperar; sabemos tratar-se apenas oriundo da Disciplina de Ciências da Computação da Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais.

Mas as falhas se multiplicam comprometendo a integridade do trabalho: o abstract apresenta-se em português, onde se lê: Este artigo discute a veracidade da Ufologia, bem como alguns fenômenos ditos “ufológicos” e a influência causada nas pessoas.(1) Não conseguimos entender o que os autores querem dizer com “veracidade da ufologia”. Os erros de português e a redação primária, inadmissíveis em trabalhos dessa natureza, surgem já no primeiro parágrafo somando-se ao estudo histórico totalmente infundado e conceitualmente equivocado. Ao final, a bibliografia, elemento fundamental para consulta das obras utilizadas, inexiste, pois é inaceitável o “Projeto Ockham” (?), o “Projeto Ciências e Pseudociências” (??) e a “Wikipédia” (!) como fontes de pesquisa. Não foram observadas as regras mínimas de redação, conhecimento, pesquisa, levantamento de dados, fontes de consulta confiáveis e sérias e objetividade. Pode-se chamar a isso de trabalho “científico”? Certamente que não.

Um rápido giro pelo mundo permitiu coletar alguns trabalhos publicados na área da Ufologia, grande parte deles voltada aos aspectos psicológicos e sociais envolvendo as testemunhas. Este título, por exemplo, pode ser lido como síntese dos demais, como se verá a seguir:Psychological aspects of the alien contact experience(2) Só este apresentou quase uma centena de referências bibliográficas. Uma centena! Outro: Temoignage d’OVNI et psychologie de la perception, de Manuel Jimémez, tese de doutorado em Psicologia apresentada na Université Paul Valery, em Montpellier, 1994. The myth of communion: A rhetorical analysis of the narratives of alien abductees é outra tese de doutorado apresentada na Universidade do Kansas em 1999. Trabalho de licenciatura em Medicina: Aspects psychiatriques, médico-psychologiques et sociologiques du phénomène OVNI.(3) Não precisamos nos estender, o leitor já percebeu que o desnível é gigantesco entre as “duas ufologias” praticadas – a brasileira e a do resto do mundo no circuito científico nos Estados Unidos, França, Canadá, Bélgica, Alemanha, Ucrânia, Espanha…

No final de 2009 foi publicado um livro que representa bem toda essa questão: “De Outros Mundos (4), organizado pelo Prof. Joaquim Fernandes, da Universidade Fernando Pessoa (Portugal), com a colaboração de vários componentes daquela autarquia, portanto, todos com titulação acadêmica, em que o tema central foi a testemunha (e contatados e abduzidos) e sua interação com o fenômeno, do ponto de vista psicossocial e etnográfico. Ainda que circunscrito ao território português, o estudo atravessa as fronteiras regionais e serve como parâmetro a uma análise mais global: análises fotográficas, a ficção e o imaginário extraterrestre, etnografia do contatismo, uma abordagem exo-semiótica da comunicação com aliens, eis uma amostra dos temas que enriquecem o volume. Basta reproduzir um trecho do capítulo introdutório e estaremos resumindo tudo o que sempre defendemos e que é a proposta básica dos autores (texto preservado no original português europeu):

[sobre o desígnio da obra] …O de produzir uma reflexão/reavaliação multidisciplinar de um fenómeno de massas que, no contexto das sociedades industriais contemporâneas, parece ter recuperado toda uma dimensão mágica, exemplar, dos grandes mitos da Antiguidade. (…) Um quadro sintomático suportado pelas vivências extraordinárias subjetivas (ou não) dos seus protagonistas humanos, com todo o aparato de expressões e vivências sensíveis, simbólicas e estéticas integrantes de um exuberante imaginário colectivo e das crenças a ele associadas. (p. 9)

Voltando um pouco às nossas origens, em 1983, quando ainda colaborador da revista Planeta, já tínhamos a percepção de que este problema – a testemunha, sem dúvida um problema – deveria ser conduzido de forma mais adequada, e escrevemos, na edição de maio daquele ano “Testemunhos ufológicos: o fator básico”. Longe de seguir o protocolo acadêmico, até porque a revista não tem esse perfil nem o autor graduação universitária, o texto deixava entrever que a filtragem dos relatos deveria obedecer a um padrão mais rigoroso de análise e contar com a participação de especialistas em diversas áreas afins. Nada muito diferente do que apresentava o Note Téchnique nº 10 do Centre National d´Estudes Spaciales, na edição de dezembro de 1981: Les Phenomènes Aérospatiaux Non-Identifiés et la Psychologie de la Perception.(5) Ambos os artigos apresentam o mesmo teor por vieses diferentes, colocando como eixo central da discussão não mais o fenômeno e sim o homem em toda a sua deformidade. Como se pode perceber, três décadas atrás já se desenvolvia uma nova maneira de pensar o tema, e timidamente nós começávamos incorporar essa linha de raciocínio. A Ufologia não poderia e não pode mais se prender exclusivamente àinterpretação dos pesquisadores, que além de leigos, consciente ou inconscientemente traduzem aqueles relatos dentro de suas convicções e óticas pessoais.

Naquela época, em nosso entender, a Ufologia, notadamente a brasileira,deveria ter ingressado em uma nova fase, não se limitando à simples coleta e compilação de dados. Dessa “Ufologia 1.0” – usando a linguagem da tecnologia da informática – deveríamos há muito estar praticando a “2.0” – analisar, cotejar, dissecar toda a casuística na tentativa de encontrar os fundamentos necessários à compreensão do fenômeno. Agora, no limiar da segunda década do século XXI, todo e qualquer trabalho que vise “desmontar” a Ufologia para expor suas entranhas laceradas pelo conhecimento provoca verdadeira revolta nos segmentos mais conservadores. Para entender e responder a essa questão, teríamos que nos reportar a estudos mais amplos e complexos nas áreas da sociologia , psicologia e antropologia, no mínimo, que de forma excepcional esclarecem e apontam as razões para tais comportamentos. Mas essa é uma história que será contada depois.

O tempo não para, corre célere “antecipando” o futuro; a informação chega de todas as direções, o conhecimento está ao alcance de todos a qualquer hora, em qualquer lugar. As transformações que se operam no mundo ocorrem em velocidade vertiginosa e podem ser acompanhadas em “tempo real”. Literatura, artes, ciência, comportamento, história, o saber em geral tornou-se acessível num piscar de olhos, então, não se justifica mais tanta ingenuidade, ignorância e fanatismo nas crenças que colonizam o inconsciente há séculos e não têm nenhum fundamento lógico e racional: artes divinatórias, reencarnação, vida após a morte, entidade sobrenaturais, espiritismo e muitas outras coisas, entre elas discos voadores e seres alienígenas, que habitam o continente das trevas, da superstição, da crendice e do imaginário.

Em correspondência com o Professor de Filosofia e Doutor em Sociologia pela Sorbonne, Bertrand Méheust, autor deScience-Fiction et Soucoupes Volantes(Terre de Brume, Rennes, 2008), ele nos esclareceu que o seu interesse no assunto hoje, embora à distância, está em ir além da sua dimensão mítica e encontrar o que há de fato por trás dos acontecimentos inexplicáveis. Ou seja, o que ele chama de “dimensão mítica” (gangue mythique)seria um “envoltório”, uma casca que recobre o fenômeno e oculta a sua verdadeira natureza. É nesse plano que as discussões mais amplas acontecem e pedem inexoravelmente o concurso de outras tantas áreas de estudo. Esse é exatamente o tema de um projeto que concluímos recentemente e que entra agora na fase de prospecção editorial.

Queiram ou não, gostem ou não, a Ufologia 3.0 já é uma realidade nos círculos mais avançados da pesquisa científica, nada que diga respeito a “naves extraterrestres e seres alienígenas”. Durante décadas reunimos dados (1.0) suficientes para iniciar uma larga investigação multidisciplinar e análise metodológica (2.0). Nada disso vingou de fato – permanece estacionada no “nível 1”. Agora entramos no período de começar a colher os frutos dessa longa jornada, e estes frutos virão das universidades, onde se espera um dia o Brasil faça parte desse grupo, ainda que seja uma expectativa de longo prazo. As áreas das Ciências Sociais são as que mais contemplam as perspectivas para um estudo sério e convergentes, com a contribuição/participação das ciências planetárias, Religião, História, Mitologia e Filosofia, todas empenhadas em tentar responder aquilo que um dia foi chamado de “o enigma do século”. Mas é bom lembrar que o tal século já faz parte do passado. O século presente promete respostas.

Viver o presente e pensar para o futuro é o caminho para o crescimento. O motor do conhecimento é a dúvida, não a certeza. O discurso e a ação que se impõem é – definitivamente – o da interdisciplinaridade, da informação compartilhada, do estabelecimento de bases sólidas na construção do saber e, acima de tudo, do total abandono às crenças delirantes que só fazem retardar a evolução do homem. Esse é o caminho e essa é a ação, e quem não estiver investido desse espírito não poderá se queixar do descompasso que vive em relação ao mundo que habita.


Schiavoni A. S. et al. “Trabalho de Metodologia Científica Ufologia”.www.lia.ufc.br/~rudini/ufla/ufla/2008i/com161.trab.ufo.pdf .

Franch. C.C. et al. Cortex 44:2008; 1387-1395. Elsevier.

Mavrakis, Daniel. Faculté de Médicine, Université de Nice-Sophia Antipolis, France, 2001.

Planeta Editora. Lisboa, 2009

Publicado pelo Groupe d´Estudes dês Phenomènes Aerospatiaux Non-identifiés, Toulouse, França.

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