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A DESCONSTRUÇÃO DE UM MITO

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Ubirajara Franco Rodrigues
ubirajararodrigues@netvga.com.br

Carlos Alberto Reis
carlos.reis@atitude.com.br

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www.ufologia30.blogspot.com

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DOMINGO, 8 DE NOVEMBRO DE 2009

Excerto do capítulo Religião vs. Ciência ou Anjos vs. Demônios

Os autores, Carlos Reis e Ubirajara Rodrigues cederam gentilmente um trecho da obra para que aqueles que ainda não tiveram oportunidade de comprar (veja como adquirir em outro tópico deste blog) apreciarem um pouco da abordagem. 


Em que, afinal, o tratamento religioso dado ao fenômeno ufológico pode interferir negativamente nas investigações? Como já foi visto, o conhecimento humano tem várias áreas que se resumem no conhecimento filosófico, científico, vulgar e teológico. Este último não se pode confundir com um simples e generalizado comportamento místico. Seus meandros o tornam complexo, mesmo que alardeie tentar atingir o incognoscível, fundamentando o conhecimento tipicamente dogmático do qual necessitam as religiões. Mas é um campo desenvolvido há muito tempo e restrito à necessidade humana de se religar ao que a humanidade julga transcendental, de tal forma que a satisfaça nas suas mais profundas e inalcançáveis questões metafísicas.

O comportamento de tipicidade religiosa, abrangente, genérico e de cunho místico que tente abarcar um campo como a ufologia é bem diferente. Nem sistemático, no sentido estrito, é. É comportamento e não conhecimento, como o é o teológico. Eis sua inconveniência – a de buscar o trato completamente infundado, também inalcançável, de algo que, por ser da mesma forma desconhecido, é presa fácil das atitudes de deslumbramento dos que se aprazem pelo mistério. Então, não estamos falando aqui em qualquer religião, mencionamos tão somente o comportamento do tipo religioso, mesmo porque, na unanimidade dos casos, ele prevalece por influência do pensamento crente daquele que o adota.

Dawkins alerta para a incompatibilidade entre esse comportamento e a atitude científica. Defende com veemência que já passa da hora de os homens de pensamento racional e científico reagirem contra a histeria de se acreditar desrespeitosa a crítica contra o trato místico, em detrimento da metodologia científica. Nisto, este polêmico e cético escritor não está sozinho, nem tampouco é pioneiro. Em fins do século 19, Freud, corajosamente, já combatia a influência da atitude de religião que tentasse substituir um racionalismo prático. Seu futuro discípulo Erich Fromm, em Psicanálise e Religião[1], tratou de destacar como o psiquismo se torna distanciado de uma realidade mais sadia, com a mescla da tendência pelo sobrenatural e a ânsia de compreensão. De fato, isto é tão melindroso, que se pode dizer que a fase mitológica da humanidade, já deixada num passado distante, ainda não parou de espargir sua névoa. Mas a era da razão, cada vez mais presente, entra em conflito com tudo o que atualmente tenta permanecer firme como mito. Daí notar-se hoje um verdadeiro duelo natural entre razão e credulidade, e uma guerra declarada por preceitos místico-religiosos contra teorias científicas.

A atual escalada de proibições, de ensinamentos de cunho evolucionista nas escolas, em várias partes do mundo, notadamente nos Estados Unidos, é exemplo inquestionável, por incrível que possa parecer. A gravidade não está na proibição, que apenas em tese, e somente a princípio, pareceria querer evitar um suposto caráter definitivo da Teoria da Evolução para explicação da vida na Terra e da aventura do homem neste planeta. É mais preocupante – a proibição vem seguida da obrigação de se ensinar o pensamento criacionista, e alguns estados americanos já vivem tal situação. Os sociólogos, filósofos, antropologos e psicanalistas de moderna observação veem, em tais fatos, a evidência do mencionado duelo que o psiquismo da espécie humana trava consigo mesmo. Desaparece a fase mitológica, surge a idade da razão, mas o passado continua martelando, não se conformando com este panorama. Una-se a isto a reação contrária, também natural na maioria, de se procurar a compreensão através do método, que indiscutivelmente é penoso, porém compensador, e eis o conflito. Essa evidência reveste-se de um caráter medieval. Um último estertor dos modos da Inquisição?

A ufologia vive tudo isto, ou melhor, é um sinal claro deste momento. Alguns, por confundirem o bem-estar espiritual do homem, preferem tal termo como sinônimo de algo sobrenatural, ao invés de o aplicarem como significante de profundidade, sobriedade e sensibilidade. Fromm, na citada obra, diz que homens como Sócrates, Platão e Aristóteles preocupavam-se com a felicidade e o desenvolvimento espiritual do homem, exprimindo-a com a autoridade da razão, e não se arrogaram por transmitir revelações divinas. Era nitidamente a atitude de quem sabia que, um dia, os mencionados conflitos dariam lugar ao equilíbrio entre o comportamento racional e a tranquilidade espiritual, aqui em sentido que denota a evolução psíquica e psicológica do ser humano. Eles se interessavam pelo homem em si mesmo, que consideravam o objeto mais importante de estudo. Seus tratados de filosofia e ética eram ao mesmo tempo textos de psicologia (obra citada, p. 7).

Ufólogos, em sua maioria, preferem as ilusões ao tratamento racional, o qual têm como limitado e insosso ao gosto de suas transcendências, para que possam substituir seu afastamento das gnoses religiosas por seres salvadores e sobrenaturais, por isto mesmo batizados de ultraterrestres, extraterrestres, intraterrestres… uma ciranda de nomes que se amolda aos interesses. É que não se desvencilharam, sem o perceberem, do condicionamento que lhes foi imposto pelas influências de fundo religioso. Dessa forma, apenas substituem deuses por Ets. Em nossa era cética, com frequência se presume que as pessoas são religiosas porque desejam algo dos deuses que veneram, diz a escritora Karen Armstrong. Desejam vida longa, livre de doenças e até a imortalidade. Pensam que os deusespodem ser convencidos a lhes conceder favores. Mas o fato é que essa hierofania inicial mostra que a adoração não precisa ter necessariamente um fundo de interesse. Quando as pessoas aspiram atingir a transcendência simbolizada pelo céu, sentem que podem escapar da fragilidade da condição humana e passar para o que existe além dela. [2]

Há exemplos insofismáveis – o tal comandante de 15 milhões de naves Ashtar Sheran ocupa o lugar de Jesus, que irá voltar. Este comandante/salvador/anjo guardião vem para um arrebatamento e, por certo, adentrará pelas nuvens em uma cena digna de Dante e dos clássicos como as cúpulas de Rafael e Michelangelo. Será que venerar um “deus” irá abrandar a ira dos “deuses” e assim salvar a humanidade de seu holocausto? A ufologia está na infância pela infantilidade de muitos que nela militam, e corre o risco de extinguir-se precocemente antes de chegar, no mínimo, à adolescência. Fromm cita seu mestre: Freud não se limita a provar que a religião é uma ilusão. Ele diz que toda religiãoconstitui um perigo, porque tende a santificar instituições viciosas, com as quais se tem aliado através dos tempos. Além disso, porque ensina às pessoas a acreditarem em uma ilusão, condena o pensamento crítico e condiciona certa estagnação intelectual.

Quando ufólogos não hesitam em tapar os ouvidos e ocultar dos olhos suas ilusões de infância – super-heróis dos quadrinhos, naves de outras galáxias, exércitos de Ets guardiões das leis interestelares nem os temores por vezes prazerosos como anjos da guarda à espreita, santos punidores pelas travessuras, deuses que impõem leis contra os ímpetos dos instintos – demonstram que ainda se encontram conduzidos por ideias primárias e elementares, por isto mesmo, desajuizadas. Daí, não se distinguem da versatilidade ingênua, cuja criatividade ainda não se separou da fantasia. Portanto, vão a São Thomé das Letras, à Chapada dos Guimarães, Macchu Picchu, Ilha de Páscoa e a tantos outros locais de “concentração místico-esotérica” e não se conformam quando nada presenciam. Mas veem. Veem e fotografam “sondas ufológicas” no lugar de faróis de automóveis, luzes de casas da roça nos altos dos morros, registram formas extraterrestres de seres cabeçudos e longilíneos em fotografias de churrascos ou encontros noturnos de turminhas que jogam RPGs, sentem-se vigiados por “orbs” ao invés de notar respingos de chuva, partículas de poeira e fungos nas lentes das câmeras, maravilham-se com “rods” pensando tratar-se de formas de vida minúsculas e desconhecidas ou de naves liliputianas. Fromm volta a referir Freud: Ele acentua o contraste entre a brilhante inteligência das crianças e o empobrecimento da razão adulta. Sugere que a natureza íntima do homem talvez não seja tão irracional quanto o indivíduo se torna sob a influência de ensinamentos irracionais.



[1] Editora Livro Ibero Americana, RJ, 1966.

[2] Op. cit .

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A MOTIVAÇÃO PARA ESCREVER O LIVRO

Pergunta a Ubirajara Franco Rodrigues

O que o motivou, juntamente com o veterano Carlos Alberto Reis, a escrever o livro? Você mudou de idéia em relação ao Caso Varginha como insistem em dizer seus outrora admiradores que sequer leram o livro?

Caríssimo Eustáquio

De há muitos anos que Reis e eu pensamos de forma harmônica e nossa postura vem sofrendo gradativamente uma mudança. Mudança de ufólogo condicionado à idéia de que UFOs sejam necessariamente naves extraterrestres, para ufólogo que tenta compreender um fenômeno, seja ele o que for, caso tal compreensão seja possível. No entanto, a divulgação inconsequente, constante e descomprometida, que vem sendo dada a certas questões ufológicas, fez com que nos sentíssemos no direito, bem como no desejo,de escrevermos o livro. Afinal, fazemos parte das quatro últimas décadas da ufologia. Jamais mudei qualquer coisa do que escrevi em “O Caso Varginha”. Evidentemente, alguns aspectos entendo-os hoje de forma um pouco diversa, mas basicamente nada mudou em meu modo de ver o Caso. Basta notar que tomei o cuidado de nada afirmar naquele livro, como alguns fascinados gostariam. De fato, verdadeiros incautos acreditaram, absurdamente, sem lerem um livro e outro, que eu “nego os Ufos”, ou que “nego o Caso Varginha, que eu mesmo pesquisei”. Isto se deveu exclusivamente à tentativa fanática de pessoas que simplesmente não se conformam ao saberem que há alguns que pensam de forma diversa da deles e partem para o ataque pessoal, bem como para a descarada deturpação do que falamos ou escrevemos. O pior foi que os mencionados incautos acreditaram. Paciência. Uma pena.
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COMENTÁRIO DO PhD. JOAQUIM FERNANDES

De: Joaquim Fernandes
Enviada em: segunda-feira, 7 de setembro de 2009 10:10
Para: ubirajara@netvga.com.brcarlos.reis@atitude.com.br
Assunto: LIVRO
Prioridade: Alta

Caros amigos,

Recebi o vosso livro, de facto uma verdadeira “pedrada no charco” na Ufologia brasileira,
pouco ou nada habituada a reflexões críticas desta dimensão.
Um trabalho salutar que enaltece e dignifica os autores e abre caminho a uma indispensável reformulação dos critérios de avaliação e do inevitável investimento científico aberto e não-dogmático de um mito vivo e em progresso nas sociedades contemporâneas.
Queiram aceitar os meus efusivos cumprimentos e votos de sucesso.

Cordiais cumprimentos,

 

Joaquim Fernandes, PhD

University Fernando Pessoa
Praça 9 de Abril, 349
4249-004 Porto
Portugal

Telf.228317397
Tlm. 917338986

jfernan@ufp.edu.pt
fernandesjoaquim46@gmail.com

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O PORQUÊ DO USO DA PALAVRA MITO

Trago a todos, as postagens-resposta do amigo Ubirajara Rodrigues, co-autor do livro “A Desconstrução de um Mito”, juntamente com Carlos Alberto Reis. Nesse post ele responde sobre a utilização da palavra “Mito” no título da obra:

Pergunta: “Talvez o que silencie tantos “amigos”, ou que deixe indignados a muitos seja a utilização da palavra “mito”. Essa palavra é densamente utilizada pelos pseudo-céticos que sequer admitem a possibilidade da realidade do fenômeno, remetendo tudo ao imaginário popular. Afinal, o que os autores entendem como mito? E não falo em definição pelo Aurélio, ou Priberam, mas o significado, ou alvo, que tinham em mente ao escolherem essa palavra. Ou o que leva também ao Prof. Joaquim Fernandes, da Universidade Fernando Pessoa, a utilizar a mesma definição? “

Ubirajara responde:

Meu caro, obrigado por sua questão. Mito, por óbvio, comporta sentidos diversos, ainda que o termo contenha, também evidentemente, sua categoria própria. Antes de tudo, não é definitivamente apenas a representação da ignorância humana das épocas pré-razão. Mas representa uma realidade obtida pelas possibilidades do próprio instinto, unido ao desejo de racionalizar o que cercava o homem. Ou melhor, que cerca, pois que os mitos não se estinguem. Ao contrário, são a representação viva de como o homem procura inteirar-se com o universo que o cerca. Nem por isto devemos nos esquecer que um mito traz consigo, em seu aspecto mais intrínseco, eu diria em sua essência, uma interação do próprio ser humano com a natureza , com o meio em que vive. E isto é antes de tudo simbólico. Os símbolos são complexos, mas fazem parte do psiquismo, da própria humanidade e assim possuem um fundo difícil de ser atingido. Mas está lá. Isto por si só já demonstra que o que se torna mito é também o significante de algo real, concreto. O grande problema é conhecermos esta pura realidade, ou a chamada verdade real, que é o mesmo que tentarmos atingir a mencionada essência. Como diz Vallée, este fundo ainda inatingido, quanto ao fenômeno UFO, é comparável a uma projeção cinematográfica; enquanto a platéia assiste o filme e se envolve naquela versão da história, ele desejaria subir a escada e observar o que se passa na sala de projeção. Os mitos, por tudo isto, oferecem seus aspectos externos, exteriorizados, encapados por diversos dos estilos de visão humana. Dentre estes, a idéia incondicional de que UFOs sejam “necessariamente” naves extraterrestres. Mas compõe-se, por ser mito, de uma gama muito mais rica de possibilidades e de hipóteses. Dentre estas, aquelas contempladas por inúmeras disciplinas de estudo científico. Se, por um lado, REALMENTE HÁ A POSSIBILIDADE de UFOs serem naves espaciais – e possibilidade não há de ser confundida com probabilidade e muito menos com certeza, advinda de dados e informações concretas, que nos permitam adotar tal hipótese como confirmada – é urgente que a ufologia procure as outras, como puder, dentro de suas condições. O fenômeno, SEM DÚVIDA REAL, precisa com urgência de uma busca dentro das outras hipóteses, e para tanto precisa ser “desencapado” da roupagem definitiva que nós ufólogos lhe demos. Quero dizer, a falta de metodologia, o desejo irrefreado de se lhe dar uma nuance essencialmente místico-esotérica, na maior parte das vezes ao estilo claramente religioso, já marcaram a ufologia nestes 60 anos. E a lugar nenhum chegamos. Portanto, “disco voador” é mito, sob seu aspecto de realidade, de concretude; portanto, imortalizou-se e representa uma visão bela e fascinante das outras possibilidades do universo que nos cerca. Mas é também mito pelas capas que lhe lançaram sem critérios, ou melhor,exclusivamente com o critério da subjetividade e das crenças. Eis nossa proposta, com perdão pela resposta longa – desconstruir, ou seja, fazer uma espécie de estudo anatômico, dissecando o que se tem até hoje, com a finalidade de se extrair algum percentual que inspire as ciências e que demonstre valer a pena o seu estudo, para que o homem, racional e metodicamente, possa dar-lhe maior valor e melhor atenção. Repito, isto é uma PROPOSTA. A proposta de nosso livro, apenas como uma dentre as milhares que, garanto-lhe, começam a ganhar corpo com ufólogos de muito maior competência de que nós, autores do livro, em várias partes do mundo. E, em assim sendo, é o mundo dos ufólogos, que precisa ser reavaliado.

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UFOLOGIA ATUAL

Eis um pequeno trecho de nosso livro, para observação dos colegas. Ele vai às páginas 38 e 39:

“A Ufologia que surgiu na metade do século passado seguramente não acompanhou a tendência vertiginosa das transformações; encontra-se, isto sim, em permanente estado de imóvel suspensão. Se atentarmos bem, e recorrendo às obras de Campbell, poderíamos dizer que talvez esteja vivendo o seu “rito de passagem” rumo a outro universo de estudos. Para acompanhar e entender essa transição, a palavra de ordem é lucidez, escorada por discernimento, equilíbrio, foco e responsabilidade, ou, como aconselhava Kant, perseverança e rigor. Para a Ufologia conquistar o respeito que tanto pede, precisa eliminar os aspectos mais nocivos que tomaram de assalto todo o corpo da História. Para cada tese, uma antítese, para cada mal, uma vacina. Há que se buscar a síntese. A dialética surge como instrumento neutro, catalisador e polarizador das discussões. “A dialética repousa nas contradições internas, ou nos opostos, presentes em todas as áreas da vida humana”16. A perspectiva é otimista, a expectativa, nem tanto. É preciso usar a razão, mais que a ciência ou o método científico, para absorver de forma plena o impacto que a realidade do fenômeno exerce sobre nossa existência. Há que se ir ao encontro do Óvni, e não de encontro. A Ufologia não é o que parece ser, e não se parece com nada do que está aí. Nenhum mistério pode ser mapeado, e o fenômeno também não. Pelo menos por enquanto. Mas, como diz Nicholas Fearn, ´consegue-se convencer muita gente de praticamente qualquer coisa, contanto que não se empregue uma argumentação racional´ (FEAM, N.).”

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SOBRE A PROVA

Caros, aqui evidentemente apenas uma declaração sobre o desenrolar de qualquer tipo de estudo. Por óbvio, a PROVA TESTEMUNHAL não é nem nunca foi desprezível. Ao contrário, faz parte de um CONJUNTO, que deve sempre ser cotejado (vez que a salutar e excelente última opinião se utilizou bastante de cacoetes jurídicos sempre bem vindos) para um julgamento. E aqui não se trata de o Ilustre e sábio colega, e eu, estarmos tentando bombardear o tópico com expressões comuns ao nosso meio. Na verdade, a prova testemunhal também não é nem nunca foi competente para julgar qualquer coisa. E, quando dizemos julgar, atrelamos o termo ao seu significado e à sua categoria ampla e correta, em se tratando de filosofia ou de silogismos. Julgar significa CONCLUIR. Obter de um conjunto de provas a aproximação mais possível da realidade. Portanto, as provas testemunhais, em ufologia e áreas similares, quando muito demonstram, impossível negar, a realidade de acontecimentos, de fatos, de fenômenos. Agora, quanto a concluir sobre eles, sempre que as testemunhas o fazem judicialmente tornam-se de imediato suspeitas. Para a ufologia, tal “suspeição” – pois a quem compete julgar é o estudioso, se tiver condições para tanto – apenas torna o fenômeno mais complicado para a análise. Porque, assim agindo, a testemunha pode muito bem ter deturpado, mudado, enfeitado, encapado, aquilo que realmente viu, com aquilo em que crê. E, de crenças, a ufologia e similares, por não serem nada acadêmicas, já estão cheias. Literalmente. É hora de se tentar equalizar ou equacionar as informações, se bem trabalhados os dados. Dados que vêm das testemunhas. Um recomeçar, estou ciente disto, ainda que possa estar errado aos olhos de terceiros. Enfim, se a própria ciência, para alguns, não tem condição de entender o fenômeno, que dirá de crermos que a falta de sistema e de método – a Testemunha assim age geralmente – ou seja, o partir para entendimentos subjetivos, místicos, esotéricos ou caracterizadamente crentes ao estilo religioso, poderá fazê-lo? Abraços.

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Uma resposta a A DESCONSTRUÇÃO DE UM MITO